sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Meus brinquedos

De repente
Ao lembrar dos brinquedos queridos
Que ficaram esquecidos
Dentro do armário
Me bate uma saudade
Me bate uma vontade
De voltar no tempo
De voltar ao passado
Mas nada acontece
Nada parece acontecer
E eu choro
Choro como o bebê que fui
E a criança que quero voltar a ser
Não quero crescer!

Clarice Pacheco

Retrato do Poeta Quando Jovem

Retrato do Poeta Quando Jovem

Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.

José Saramago

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Carta enviada ao Cacau

Hoje, lendo o blog do Cacau, grupo RBS, vi em vários comentários os túristas ou não nativos, se referindo a ilha e seus habitantes de forma inadequada, portanto me achei no direito de enviar esta carta, em defesa da nossa ilha da magia e de nós manezinhos. Peço desculpas aos que aqui vivem e amam essa ilha tanto quanto eu, mas acredito que estes concordarão com o texto.


"Uma terra de contrastes, onde a agitação da vida moderna convive com a placidez das comunidades do interior. Assim é a Ilha de Santa Catarina, deliciosa fatia do paraíso com 523 km² de verdes encostas, lagoas e 42 praias. Nela fica Florianópolis, capital habitada por 280 mil privilegiados, um dos principais destinos turísticos do Brasil e opção de residência para quem busca qualidade de vida.O espírito açoriano, herdado dos imigrantes que povoaram a região há 250 anos, personaliza a ilha. Os barcos de pesca, as rendeiras, o folclore, a culinária e a arquitetura colonial qualificam o turismo e atraem recursos que compensam a falta de indústrias de porte. Vilarejos envoltos em tradição e história, como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, resistem aos avanços da modernidade.

Essa é a descrição da nossa tão querida Florianópolis. O que muitos esquecem é que ela é uma ilha que no verão chega a triplicar o número de habitantes, que a maioria de seus habitantes não trabalham para o Turismo.
Cacau, quantas pessoas você acha que cabem na ilha? Mesmo se houvesse uma reforma geral nas estradas, seria correto criar mais ruas para os turistas não enfrentarem filas? ou mais restaurantes? mais hotéis? Será que quando isso tudo estiver concluído os turistas vão continuar vindo para a ilha, ou ela vai deixar de ser esse pedacinho de terra perdido no mar.

Nasci aqui, sou manezinha de coração, e como toda manezinha sempre recebo bem os nossos visitantes, mas, muitos vem para fugir dos problemas da cidade onde vivem e chegando aqui, querem que a ilha tenha a mesma infra-estrutura de uma cidade como SP (exemplo), então passem as férias lá!

A ilha é maravilhosa por ser coberta de verde, por ter essas praias maravilhosas, se formos construir toda a infra-estrutura que os turistas e os "não nativos", pedem no seu blog, vamos destruir o que ela tem de melhor. A magia da ilha é exatamente essa.

Em países "desenvolvidos" como citado no blog, tem mais restaurantes? Não. O que tem é um controle de entrada em lugares onde um número excessivo de turistas querem passar o verão.

A ilha precisa de planejamento e para isso faço a pergunta: Quantas pessoas cabem na ilha para que ela possa atende-las?

E acredito que é esse o número que devemos receber.

A Ilha da Magia, mercê respeito pelo que é. Seus habitantes merecem respeito pelo bom atendimento (porque a maioria de nós atendemos bem). E ainda, os que decidiram viver aqui, devem respeitar o que escolheram e não querer mudar o paraíso. Quantas vezes você vê um gaúcho (exemplo) dizendo: Porque lá em Porto a gente tem isso! Lá em Porto a gente faz assim! Insatisfeitos, voltem para o lugar de origem.

Em países "desenvolvidos" também se paga muito bem para estar em um lugar como a ilha de Florianópolis.

Para que a ilha assista seus turistas da maneira que merecem serem assistidos, devemos atender o número de pessoas que conseguimos, nem que para tanto aumentemos os custos destes turistas. A ilha é um dos lugares mais belos do mundo e um dos mais baratos para turismo também.

E para finalizar, não permito o uso do termo "Mané" de forma pejorativa, já que somos nós os donos do paraíso. Como todos os manés dizem: Nós moramos onde vocês passam férias!"

Blog em Voga

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Priscila Martins
Estudante de Psicologia, 23 anos, noiva e apaixonada por tendências, moda, maquiagens e afins.. adoro tudo que está relacionado a comportamentos. Este espaço é para que eu possa dividir com vocês minhas inspirações in foco, dicas de beleza e tudo mais sobre o que as moçoilas adoram falar!